Começar pelo fim

Tenho sempre muitas ideias para livros. Aponto as ideias e sei sempre como as histórias começam, mas é raro saber como vão acabar. Muitos escritores trabalham assim, confiantes de que, capítulo a capítulo, a conclusão chegará naturalmente. Para mim não funciona. Para mim é, cada vez mais, importante saber de antemão como todos os pontos se vão ligar, talvez porque os meus enredos têm sempre algo de misterioso para resolver. Portanto, o fim é fundamental para o arco da história, para que seja coerente, para que as motivações das personagens tenham um fio condutor.
Nesta série que estou a escrever decidi começar por delinear o enredo a partir do fim. Sei como vai acabar o último livro e também já escrevi o último parágrafo. Tenho bem definido o que vai acontecer a praticamente todas as personagens. Claro que dou margem para alterações, porque por vezes as personagens como que ganham vida própria e obrigam-nos a repensar os caminhos que tínhamos traçado para elas.
Comecei agora a escrever o segundo volume e fico mais descansada por saber como vai acabar. E estou a descobrir como é mais fácil inserir pequenas pistas ao longo do texto que prenunciam o que vem por aí. Tal torna o texto mais rico. O prazer da leitura é intensificado.
É um novo método de escrita que estou a pôr em prática. Vamos ver no que vai dar.

Estética e significado

Já escrevo há algum tempo. Escrevo histórias desde que aprendi a dominar minimamente a escrita na escola primária. Era muito pequena, mas sentia-me atraída pelas palavras, pelo ato de produzir algo através da escrita, de contar coisas importantes usando as palavras e juntando-as de uma maneira diferente. Na adolescência preocupava-me muito com a estética dos meus textos, mas às vezes esquecia-me de lhes dar significado. Só queria produzir textos bonitos e não bons textos. Faltava o conteúdo. A beleza perdia-se no vazio.
Adoro contar histórias, tenho essa necessidade, esse impulso, que não sei de onde vem, sinceramente. Contudo, não acho que seja particularmente talentosa na arte da escrita, de criar conteúdo significante através do uso original e artístico da linguagem. Tenho de trabalhar muito. É preciso ter discernimento, tato, delicadeza, curiosidade; é preciso saber, conhecer, estudar a língua, a gramática, as palavras. Ainda assim, não é tarefa fácil, mesmo para quem tem o gosto. Uma das maiores críticas que a minha professora de português me fazia era o facto de eu usar nos meus textos palavras cujo significado desconhecia e que não eram as mais apropriadas para aquilo que estava a tentar descrever. Fui aprendendo, ainda estou a aprender.
Para mim a estética não tem que ver com frases bonitas ou com o uso de palavras invulgares. Tem que ver com harmonia. Harmonia entre estilo, forma e conteúdo. Para mim o conteúdo vem primeiro, depois o significado (até certo ponto, porque é mais subjetivo) e por fim a estética, porque só tendo os dois primeiros é que podemos trabalhar o último.

Como abordar uma editora

A pedido, republico aqui um artigo que escrevi para um outro blogue e em que dou algumas dicas de como abordar uma editora. Não são regras, são dicas, baseadas na minha experiência. Aproveito ainda para atualizar alguns pontos para refletir as minhas aventuras no self-publishing.

Antes de começar tenha isto em mente:

Não espere que as editoras façam aquilo que deve ser feito por si!

Posto isto…

1.º – Em primeiro lugar olhe para o seu livro. Tente que outras pessoas o leiam e que façam uma apreciação imparcial da sua obra. Se a apreciação geral for boa, já é meio caminho andado.

2.º – Olhe mais uma vez para o seu livro. De que género é? Um romance policial? Um romance histórico? Literatura infantil? Um livro de autoajuda? Identifique o género do seu livro e escreva uma pequena sinopse.

3.º – Faça uma lista! Procure na internet, em blogues especializados em edição e literatura, e selecione as editoras que publicam o género de livros em que a sua obra se insere. Por favor, não cometa o erro de enviar um ensaio ou um romance para uma editora de livros de autoajuda. Estará a perder o seu tempo desnecessariamente. E no caso de ligar, não cometa o disparate de perguntar à pessoa que atendeu se pode indicar editoras que publiquem romances. Esse é um trabalho que deve ser feito por si!

4.º – Quando concluir a sua lista, procure determinar qual a melhor forma de entrar em contacto com a editora. Há editoras que são muito difíceis de contactar, porque fazem parte de grupos muito grandes e é preciso ginástica e muita paciência para conseguir o número de telefone ou o email da pessoa a quem deve fazer a sua proposta de edição. Há editoras que têm no seu sítio oficial a indicação sobre como se deve proceder. Procure descobrir primeiro através do sítio na internet. Caso não haja qualquer indicação, procure um contacto de email ou de telefone geral. Muito poucas editoras gostam de ser abordadas por telefone. Use-o apenas para perguntar se estão a receber originais para apreciação e no caso de obter uma resposta positiva, tentar saber a quem deverá enviar o original e de que forma, se por email ou por correio.

5.º – Se fizer a sua primeira abordagem por correio ou por email aconselho a que faça da seguinte forma: coloque no assunto «Proposta de edição» e o título da sua obra. Depois, no corpo do texto, faça uma breve apresentação indicando o seu nome, idade e a sua profissão. De seguida, faça a proposta de apreciação, referindo o género em que a sua obra se insere – infantil, juvenil, romance policial, contemporâneo –, e introduzindo a sinopse do livro. A sinopse poderá determinar a leitura do seu original, pelo que não deverá ser muito longa, nem demasiado curta, deverá ser suficientemente expositiva e ao mesmo tempo cativante. Recomendo que leia várias sinopses de livros e tente descortinar o que distingue uma boa de uma má sinopse antes de escrever a sua. Lembre-se que está a tentar convencer alguém de que a sua obra merece ser lida!
Anexo ao email ou à carta poderá enviar três capítulos ou mesmo o original completo. Atenção que por enviar o manuscrito completo não significa que a sua obra seja automaticamente selecionada para apreciação. Muitas vezes o anexo nem chega a ser aberto ou o manuscrito folheado, daí a sinopse ser tão importante.

6.º – As editoras não se responsabilizam pela análise ou devolução de originais não solicitados. Tenha bem em mente este facto importante. Não cometa a arrogância de enviar um original sem este lho ter sido solicitado e depois telefonar passado um mês, indignado por ninguém lhe ter dado satisfações. Pode fazer o seguinte: se enviar o original completo por correio, juntar um envelope de correio verde, endereçado a si, para a editora ter apenas o trabalho de pôr o manuscrito a devolver no envelope e deixar no correio. Ao menos isso, julgo que eles fazem, pois de outro modo limitar-se-ão a destruir o original impresso. Se optar por arriscar e enviar a sua obra sem ter confirmação por parte da editora de que está a receber propostas, não espere uma resposta. O mais provável é não responderem. Sei que parece antipático, mas é o que acontece.

7.º – Se for contactado(a) por uma editora para enviar o seu original completo para apreciação, a não ser que lhe tenha sido dado um prazo, aguarde no mínimo um mês por uma resposta. Não telefone ou envie emails todas as semanas a perguntar se já decidiram, porque é desagradável e não deixa uma boa imagem junto da editora. Tenha paciência. Quem espera, sempre alcança! Acredite! Eu sei! Se passado mais de um mês, ou findo o prazo dado pela editora, ainda não tiver sido contactado, escreva então e pergunte se já tiveram oportunidade de analisar o seu manuscrito e a que conclusão chegaram. E não faça bluff dizendo que tem três ou quatro editoras interessadas, a não ser que tenha mesmo três ou quatro editoras interessadas, porque o mais certo é «o tiro sair-lhe pela culatra».

8.º – No caso de obter uma resposta positiva à publicação do livro, muitos parabéns! No caso de receber uma resposta negativa, é pouco provável que a editora lhe dê uma explicação. Tente saber as razões, e no caso de as conseguir obter, leve-as em consideração. «Está mal escrito», «Não está coerente», «É de leitura difícil», estas são apenas algumas das críticas que poderá receber. Aconselho a que olhe mais uma vez para a sua obra antes de tentar de novo, pois arrisca-se a receber as mesmas críticas das outras editoras e assim perder uma oportunidade.

9.º – Se acredita no seu livro, não desista! A persistência dá resultados! Veja o caso de grandes autores que foram recusados por dez ou vinte editoras e que na última oportunidade foram aceites, tendo-se tornado autores best-sellers, premiados e mundialmente reconhecidos. Mas também não tenha ilusões. Acredite no seu livro de pés bem assentes no chão. São muito poucos os autores que conseguem, de facto, vender milhões ou sequer milhares, ou mesmo centenas de exemplares. Além disso, não precisa de vender milhões para se sentir realizado, precisa? Talvez para viver da escrita precise de vender bem, mas isso não deve determinar a sua vontade em se dedicar à sua verdadeira vocação.

10.º – Se tem verdadeiro amor à escrita, seja humilde e disponha-se a aprender. Estamos sempre a evoluir. Seja flexível, mas procure defender a integridade do seu livro. Há editoras que sabem o que fazem, mas também há maus editores ou editores demasiado pragmáticos que estarão mais preocupados com a viabilidade comercial do seu livro. Não fique chocado, se isso acontecer, apenas tente equilibrar as duas coisas e vai ver que corre tudo bem.

11.º – Uma dica extra: caso não obtenha resposta de qualquer das editoras que contactou, isso não quer dizer que esteja tudo perdido. Hoje em dia existem tantas formas de um escritor ter a sua obra publicada. Considere o self-publishing. Pode não ser tão satisfatório, mas é sempre uma porta que se abre. E não tem de pagar nada, a não ser que recorra à impressão ou a serviços profissionais que essas novas plataformas disponibilizam, como por exemplo o www.bubok.pt ou o www.escrytos.pt. Considere também disponibilizar o seu original gratuitamente durante algum tempo, sempre é uma forma de angariar leitores, de receber críticas construtivas que lhe permitam melhorar a escrita e a história, e se obter opiniões positivas pode usar isso para tentar abordar novamente as editoras.

E assim ficam os meus 11 conselhos. Penso que abordei o mais importante, mas se tiverem mais dúvidas, não hesitem em colocá-las, é natural que me tenha esquecido de alguma coisa. Espero que sejam dicas úteis.

O que me inspirou a escrever «Colégio de Ofícios»

O Desafio dos Aspirantes (Colégio de Ofícios)O Desafio dos Aspirantes by Catarina Araújo

A inspiração para este livro nasceu enquanto escrevia o segundo volume de «As Crónicas de Tomás Peregrino» (atualmente ainda em produção). Nasceu também da crise que vivemos atualmente e da ideia de algures no tempo algo ter acontecido que mudou a História do nosso país para sempre. No mundo de Olívia Péri não houve ditadura e Salazar nunca chegou ao poder. Também não houve nenhum apocalipse, apesar de Portugal ter entrado na segunda guerra mundial que quase levou o país à ruína. Poder-se-á dizer que o mundo de Olívia resulta de um pensamento utópico ao contrário do que tem inspirado muitos livros nos últimos anos. Em «Colégio de Ofícios» um grupo de pessoas alcançou o poder algures na década de 1930, com o desejo de construir uma sociedade utópica. É claro que esse desejo não acontece sem consequências e apesar de no tempo em que Olívia, a protagonista da história, vive, tudo parecer maravilhosamente organizado e onde todos têm emprego, casa e alimentação garantidos, e Portugal ser um país próspero e na vanguarda dos países desenvolvidos, logo se percebe que essa «utopia» não acontece sem grandes restrições, numa sociedade estratificada, em que as liberdades não são iguais para todos, o que coloca em causa todo esse sistema e o modo como é implementado. Nada disto é referido nos livros, porque não é relevante para a ação. A sociedade vai sendo apresentada ao leitor através dos olhos de Olívia. No entanto, achei que seria interessante revelar a base em que o enredo assenta e a partir do qual acompanhamos Olívia enquanto ela tenta encontrar o seu lugar neste mundo que tenta limitar os horizontes individuais de cada um, com o pretexto dúbio de alcançar o bem de todos.

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Leitura gratuita de «Colégio de Ofícios – O Desafio dos Aspirantes»

Gostariam de ler o meu novo livro «Colégio de Ofícios»? Estão à vontade. E não têm de pagar nada por ele! Ofereço. Fica por minha conta. Pelo menos até ao dia 22 de novembro, mais ou menos. Só peço duas coisas: que passem a palavra e, se embarcarem na aventura de o ler, que deixem aqui no Goodreads uma opinião honesta (e, de preferência, construtiva). Trata-se de literatura juvenil, e a história passa-se num Portugal alternativo, onde o futuro profissional das crianças é decidido logo aos onze/doze anos pelo Ministério da Educação. Para fazer o download basta clicar no botão «Download ebook» onde diz «Get a copy». Link: https://www.goodreads.com/book/show/18756281-o-desafio-dos-aspirantes
Boas leituras!

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«As crónicas de Tomás Peregrino – Monstro» já disponível em ebook!

Finalmente, como prometido, cá está o «Monstro», disponível em ebook, para miúdos e graúdos que gostam de histórias fantásticas e que tenham, espero eu, um leitor eletrónico (se não, também dá para ler no computador, apesar de não ser tão cómodo. Podem sempre deixar a dica para o Natal, eles agora são muito baratinhos!).

O título da série mudou e agora passou a chamar-se «As crónicas de Tomás Peregrino» (antes chamava-se «A Guerra das Sombras». Passa então de «Ah, aquele cujo título é parecido com “A Guerra dos Tronos”?» para «Ah, é aquele cujo título se parece com “As Crónicas de Nárnia”». Não foi de propósito! Prometo). Trata-se de uma reedição um pouco diferente da impressa, porque entretanto fiz algumas modificações – coisas muito pequenas que são importantes, mas não alteram o enredo principal.

Por enquanto ainda só está disponível na Leya Online, mas nos próximos dias estará basicamente em todo o lado. E por apenas €2,99!

Aqui fica a capa e a sinopse.

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A vida de Tomás Lobo não é fácil. Para além de sofrer de “Síndrome de Excesso de Imaginação” e de medo crónico de fantasmas e de monstros (quando todos à sua volta dizem que esses seres não existem), é perseguido pelo rapaz mais arruaceiro da escola, um matulão de treze anos, chamado Rufo Rocha, que lhe faz a vida negra. Mas quando Tomás se aventura pela intrigante oficina do avô, Artur Artesão, criador de famosos engenhos e inventos, e encontra um livro misterioso com um sinistro olho amarelo na lombada, inicia um perigoso caminho de descoberta que irá conduzi-lo a uma realidade, essa sim, verdadeiramente aterradora. É então que os piores pesadelos de Tomás se tornam realidade: a cidade de Castelo Alto, onde vive, é assolada por uma onda de ataques sangrentos. As pessoas que têm a rara sorte de sobreviver ao encontro com este assassino descrevem- no como um verdadeiro… Monstro! A partir daí é desencadeada uma série de eventos, durante os quais Tomás irá descobrir o grande segredo que o avô e a mãe, Leona, lhe têm tentado esconder toda a vida. Na verdade, talvez o seu medo de fantasmas e de monstros não seja assim tão descabido. E com a ajuda da singular Ema, uma rapariga de doze anos com um jeito especial para o tirar de sarilhos, e de um poderoso e bizarro aliado, Tomás irá penetrar num mundo cheio de perigos mortais, enfrentando os seus piores pesadelos para tentar salvar o avô, e salvar-se a si próprio, de um horrível fim…

ISBN: 9789899837027
Editor: Ed. Autor/Escrytos
Formato: e-book multi-plataforma
PVP: € 2,99

http://www.leyaonline.com/pt/livros/literatura/terror/as-cronicas-de-tomas-peregrino-monstro/

Pensar e planear, cá dentro e lá fora

Há já alguns anos que tenho uma agente literária. Isso quer dizer automaticamente que os meus livros vão ser editados no estrangeiro? Não. De todo. Contudo, numa época como a nossa, temos de pensar além-fronteiras. É claro que é importante publicar em Portugal, na nossa língua, acima de tudo, mas hoje em dia faz todo o sentido trabalhar num contexto global. Há editoras na Inglaterra, na Alemanha e em França, por exemplo, que recebem originais escritos em português, pois têm leitores que leem na nossa língua. Todavia, é uma batalha. Uma das agências que contactei, e que era por sinal uma das mais reputadas, recusou um original meu, apesar de, cito «apresentar grande qualidade literária e uma história apelativa». Então se tinha essas qualidades, porque recusaram? A pergunta pairou no ar e caiu sem resposta. Não fiquei indignada, nem sequer despeitada, porque na verdade não sou ninguém, sou apenas uma pessoa persistente que tem a mania de escrever. Fiquei frustrada, mas como já sei como este mundo funciona, arregacei as mangas, limpei a cara, apanhei os cacos do chão e saltei de novo para a garupa do cavalo. Tive muita sorte, mais sorte do que se calhar muitos têm, porque estou rodeada de pessoas maravilhosas que acreditam em mim e, sempre que podem, me dão um empurrãozinho. E tive sorte em obter resposta daquela agência, porque a maioria não dá sinal de vida. Entretanto, encontrado o agente, a batalha continua, tanto lá fora como cá dentro. A minha agente não trabalha só com editoras estrangeiras, trabalha também com portuguesas. Isso pode fazer a diferença, pois a obra, antes de chegar aos editores, já passou pelo crivo do agente e isso ajuda. Nada está garantido, é preciso ter isso sempre em mente. Hoje aguardo ansiosamente por resposta da agente ao manuscrito que submeti para apreciação recentemente e se ela não gostar, terei pois de voltar ao trabalho, dependendo dos comentários que fizer. Prometo tornar ao assunto quando houver desenvolvimentos. Bons ou menos bons.

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O fim de um ciclo

É oficial! O Monstro saiu de circulação. Três anos depois e já não existe em lado nenhum. Provavelmente foi destruído. Não sei. Não faço ideia o que a Quidnovi fez com os exemplares que ficaram. É um desgosto muito grande para mim não saber absolutamente nada de como correu este livro. Um livro que era até à altura o melhor que já tinha escrito, talvez ainda seja. Pouco depois de ser publicado sucederam-se uma série de acontecimentos que me levaram a querer rescindir o contrato com a editora – primeiro foi a saída da Maria do Rosário Pedreira, depois a saída da editora com quem trabalhei tão arduamente, a Ana Pereirinha, e depois o medo de que a editora falisse e não cumprisse com os seus compromissos.  A partir daí nunca mais tive direito a uma informação que fosse sobre a obra. Nada. Sei que foi lido e apreciado por alguns, mas mais nada. E agora desaparece ingloriamente das livrarias. Foi azar. Quando leio as queixas que se espalham pela internet contra a editora Quidnovi fico ainda mais triste, porque tinha duas das melhores editoras deste país a trabalhar para eles e não souberam valorizá-las ou preservá-las. É uma pena, realmente. Enfim, o Monstro pode estar fora de circulação por agora, mas não será por muito tempo. Espero em breve, ainda não sei quando, reeditá-lo em ebook, claro. Para já fica a capa que fiz, com um novo nome para a série. Espero que gostem!

Capa de «As Crónicas de Tomás Peregrino - Monstro»

A espera é a pior parte

Quem conhece um autor, sabe que ele passa uma boa parte do tempo a lamuriar-se da espera. Espera de saber se alguém gostou do livro que acabou de escrever, a espera de saber se vai ser publicado, a espera de saber quando vai ser publicado, a espera de ver as primeiras revisões, a espera de ver a capa, a espera de ver o livro nas mãos, a espera de ver o livro nas livrarias, a espera de ver o livro nas mãos de outra pessoa, a espera de receber as primeiras críticas, a espera dos primeiras entrevistas, a espera dos primeiros convites para ir a sítios falar sobre o livro, a espera para ver o primeiro extrato de vendas e verificar se pode algum dia almejar viver só da escrita. Portanto, uma quantidade considerável de espera. É claro que enquanto se espera vai-se fazendo outras coisas. Não convém esquecer essa parte, pronto, a vida normal. Ainda assim a neura da espera ocupa uma parte dos nossos pensamentos.

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Neste momento, estou à espera. Vou fazendo outras coisas necessárias, claro, mas de vez em quando lá volto ao meu cantinho, onde me sento, a abanar a perna impacientemente e a suspirar muito alto a ver se chamo a atenção de alguém e a praguejar de vez em quando, qual diva. Há mais de dez anos que ando nisto e ainda não me habituei. Somos umas criaturas muito sensíveis e carentes, nós, os autores, sem dúvida nenhuma. E depois quando chega um e-mail há muito aguardado, ficamos contentes, eufóricos, a saltitar como uma menina de quatro anos. Infelizmente esse estado de plenitude dura apenas um minutos, porque depois a porcaria da espera regressa para nos atormentar.